Na sexta-feira acordei com total certeza de que assistiria Ferreira Gullar falando sobre Poemas Políticos na CASA FOLHA, aqui em Paraty. Acho que todas as outras pessoas acordaram com a mesma certeza!!! Não consegui entrar de tanta gente que já se apertava lá dentro! Mas nem tudo estava perdido! Consegui um espaço VIP do lado de fora, na beirada de uma porta que daria para vê-lo com melhor que muitos lá dentro! Fiquei animada! Mais animada estava porque fazia sol, o que até então não havia acontecido, e depois de 30min de espera, tudo que estava bom começou a ficar péssimo!! O sol me torrava, Gullar, atrasado, decidiu que precisava tomar um café com leite antes de entrar e, quando finalmente entrou na CASA FOLHA, a porta foi fechada bem na minha cara!!! Meu lugar VIP se transformou simplesmente em olho da rua!

Nem tudo estava perdido, havia uma mesa às 12h, na FLIP, que prometia ser boa, e foi!!!! Os convidados eram a argentina Pola Oloixarac e o português valter hugo mãe, que durante a sua fala revelou que seu nome de registro é outro, mas escolheu o “mãe” simplesmente porque elas são as pessoas mais incondicionais na sua forma de amar e ele queria ser um escritor com esta mesma particularidade, pois, segundo ele, os livro são máquinas de criar sentimentos! Eles leram um trecho de seus respectivos livros e eu, que já estava com o livro da Pola na bolsa, ao ouvir hugo mãe, decidi que quando saísse dali compraria o livro dele. E comprei!Uma multidão comprou!!! Ele autografou mais de três horas, sempre tranquilo e munido da mesma simpatia. Virou matéria da Folha e notícia na boca de toda a Flip! Estavam, (e ainda estão!!!) todos encantado com o homem!! Mesmo ele tendo se revelado filho de pai hipocondríaco e viver sempre com o anseio da morte. Disse que não imaginava que viveria tanto, em setembro, completará 40 anos e está preocupado se vive até lá! “Vivo constantemente a espera de estar morrendo. Se eu tiver que morrer aos 40, não será uma desgraça tão grande, por que tudo que escrevi eu fui também, por isso sou muito mais velho que realmente sou!”
Pola, já se mostrava mais frenética, me pareceu que seus pensamentos lhe habitavam como furações que, dentro dela, arrasam tudo e deixam fragmentos soltos com indício do que havia lá! Entendeu? Nem eu! Mas ela era assim mesmo. “Eu escrevo por que me divirto escrevendo. Meus personagens são pessoas com quem eu gostaria de estar, eles se apresentam para mim e me acompanham”, disse Pola, que deixou a marca do seu beijo de batom escuro em todos os livros que autografou!
E que consagrou valter hugo mãe (que assina seu nome sempre em letras minúsculas) o “tsunami” da FLIP 2011, certamente foi o seu grande final, quando perguntaram sobre a relação dele com o Brasil e o próprio leu, muito emocionado, uma carta que havia escrito antes de vir pra cá! Tenho certeza que aquelas linhas tatuaram no nome dele no coração de todos os presentes! Quer também correr este risco? Então leia a tal da carta no site da Flip: http://www.flip.org.br/noticias.php?id=668
E depois de tanto impacto emotivo, foi hora de dar risada! Voltei eu para a CASA FOLHA e desta vez entrei! Assisti Xico Sá e Antonio Prata desenvolverem preciosos pensamentos sobre a mulher como assunto nas suas crônicas! Separei duas falas pra vocês:
Prata: “A gente vai na tentativa e erro. Se escreve a crônica primeiro e depois vê como é recebida em casa (referia-se a mulher dele). Por isso eu prefiro escrever sobre mulheres mortas, como os peitos da Jane Russell, por exemplo!”
Xico: “Os cronistas brasileiros perdem muito tempo falando de outra coisa que não seja a mulher! Acho que tem que falar da mulher e pronto! Mesmo que eu precise escrever sobre outro tema, no terceiro parágrafo eu já estou caindo nos braços de uma mulher!
Não pude ficar até o final desta conversa lisonjeira, tinha uma outra, também sobre crônica, para assistir na programação principal da FLIP com o Contardo Calligaris e Ignácio Loyola Brandão. Fazia parte desta mesa, também, Antonio Tabucchi que, como forma de protesto, declarou não vir mais a Paraty depois que soube da autorização para permanência de Battisti no Brasil! Pois é... mas, voltando ao assunto crônica, em ambas descontraídas discussões, me pareceu que esta é uma literatura feita sobre pressão, até mesmo Xico Sá revelou que a sua musa inspiradora era o prazo!
E sabe como eu terminei minha noite de sexta-feira?! No protesto do Greenpeace contra as energias nucleares!!
Foi uma sexta-feira muito agitada!